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Um dado que chama a atenção é que as classes C e D/E, juntas, devem consumir R$ 17,7 bilhões, quase o mesmo valor estimado para as classes A e B, de R$ 18,5 bilhões.

— Se a economia se mantiver aquecida — e isso deve acontecer ao que tudo indica — a renda do brasileiro deve continuar crescendo. A transferência de pessoas das classes E e D para C também deve continuar. Com isso, a estimativa é que o mercado de cosméticos continue crescendo no ano que vem, com acesso maior aos produtos — afirma Francisco Caravanti Junior, diretor da Consult Cosmética e Farmacêutica, uma consultoria especializada no setor. Para ele, em três anos, as classes C, D e E já estarão gastando mais em produtos de beleza dos que as classes A e B.

As empresas fabricantes de produtos de beleza já consideram o mercado brasileiro como ponto estratégico de suas operações e lançam produtos específicos para mulheres brasileiras.

O Brasil já é o segundo país em consumo de produtos para cabelo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.  que já conta com duas fábricas próprias no país, está investindo R$ 70 milhões em um novo laboratório de pesquisa, no Rio de Janeiro. Este laboratório vai desenvolver produtos específicos para o mercado brasileiro e latino-americano. Terá como foco o desenvolvimento de produtos capilares, desodorantes, dermocosméticos e perfumaria. No Brasil, a empresa vende mais xampus. Em 2011, a empresa faturou R$ 1, 8 bilhão, um crescimento de 10,1% em relação a 2010.

O reflexo deste comportamento dos brasileiros — principalmente pelo público feminino — faz crescer também a maior feira lançadora de tendências na área de cabelos, maquiagem e tratamentos estéticos da América Latina. Neste ano, a Hair Brasil aumentou 25% em relação ao ano anterior. Segundo os organizadores da feira, que aconteceu em São Paulo no mês de março, o mercado de beleza tem tido crescimento contínuo nos últimos 15 anos, sempre acima de 10%.

O Boticário também viu suas vendas crescerem a um ritmo forte. Faturou R$ 5,5 bilhões em 2011 com as 3.260 lojas da marca, crescendo 19% em relação a 2010. Em três anos, a rede praticamente dobrou seu faturamento – em 2008, o montante foi de R$ 2,8 bilhões.

— Crescemos acima da média do mercado. Soubemos aproveitar o aumento do consumo de cosméticos e itens de perfumaria no Brasil — explica a diretora-executiva de Marketing e Vendas de O Boticário, Andrea Mota. A marca lançou 428 produtos em 2011, entre itens de linha e coleções limitadas.

A marca americana de esmaltes O.P.I., que já fincou sua bandeira no país, vende um frasco ao preço médio de R$ 35 em 300 pontos de venda, que incluem canais de venda on-line e salões de beleza. Atualmente, a Passion Perfumes e Cosméticos, distribuidora oficial dos esmaltes O.P.I. no Brasil, tem como principal característica a distribuição seletiva de produtos de celebridades e lifestyle. O perfume Bond 9 é muito procurado por brasileiros em Nova York e por isso a empresa também decidiu trazê-lo para o Brasil, ao preço médio de R$ 1,5 mil o frasco (US$ 800). A Natura foi buscar uma nova parcela do público consumidor de cosméticos ao lançar, recentemente, um creme antissinais para mulheres acima de 70 anos.

Novos canais de venda

Segundo Francisco Caravanti Junior, o varejo também está criando novos canais de venda para estes produtos. De acordo com o consultor, nos últimos anos, cidades com população entre 100 mil e 200 mil habitantes, consideradas pequenas, viram surgir lojas especializadas em produtos de beleza.

– É um modelo de venda que existe na Europa. Mas aqui, essas lojas são enormes, com produtos tanto para a classe A quanto para a E. Em São Paulo, por exemplo, existem lojas mais segmentadas, onde há apenas produtos para a Classe A – explica o consultor.

Caravanti afirma que o crescimento da venda de produtos de beleza também é ajudado por produtos segmentados, como aqueles especialmente fabricados para a população de pele negra.

– Esse é um dos segmentos que tem apresentado crescimento muito expressivo. É interessante lembrar que os produtos de beleza nunca foram gênero de primeira necessidade. Agora isso está mudando – afirma.

Fonte: O Globo